Loading...

Serra do Açor


A Serra do Açor, situada na Cordilheira Central, entre a Serra da Lousã e a Serra da Estrela, abrange os Concelhos da Pampilhosa da Serra e de Arganil e estende-se por uma área de 346 hectares. Classificada como Paisagem Protegida, a Serra do Açor é uma zona montanhosa predominantemente xistosa, com uma área florestal diversificada e com grande expressão na região. Do alto dos seus 1349 metros, a paisagem que a Serra oferece é de uma beleza estonteante, com a natureza no seu estado quase puro.

Neste concentrado de beleza natural abrigam-se riachos de águas límpidas e pequenas e belas povoações que merecem ser descobertas, como Piódão, Benfeita ou Foz d’Égua.

 

A classificação da Paisagem Protegida da Serra do Açor (PPSA) em 1982, através do Decreto-Lei n.º 67/82, de 3 de março, teve como principal objetivo a proteção dos valores naturais, culturais, científicos e recreativos aí presentes.

A sua criação resultou de um longo processo, em que o objetivo central foi a preservação da Mata da Margaraça, cujo caráter de relíquia da floresta de vegetação primitiva nas encostas xistosas e a presença de um elevado número de espécies e habitats com interesse cientifico e de conservação, fez com que o valor desta fosse reconhecido.

São ainda objetivos a proteção de espécies vegetais e animais que apresentem características peculiares, pela sua raridade e/ou valor científico, e os seus habitats naturais; a preservação de habitats importantes para o conhecimento da evolução da floresta portuguesa e dos processos ecológicos inerentes ao seu equilíbrio e para o estudo da vida selvagem; a proteção das paisagens que, pela sua harmonia, apresentam interesse estético digno de proteção; e a promoção do desenvolvimento sustentado da região, valorizando a interação entre as componentes ambientais naturais e humanas, melhorando a qualidade de vida das populações.

Na serra do Açor, domínio do xisto, as dobras e fraturas originam um tipo de relevo característico, vigoroso mas de contornos arredondados, sulcado por vales com grandes quedas de nível, linhas de água encaixadas e onde, por vezes, se encontram curiosos acidentes geológicos, como das quedas de água da Fraga da Pena.

A Paisagem Protegida da Serra do Açor situa-se no concelho de Arganil, distrito de Coimbra. Os 382 ha que a constituem distribuem-se pelas freguesias de Benfeita e de Moura da Serra.

Na Paisagem Protegida da Serra do Açor encontram-se dois sítios de especial interesse, a Mata da Margaraça e a Fraga da Pena.

A Mata da Margaraça, localizada próximo da povoação de Pardieiros, ocupa cerca de 68 ha numa vertente com exposição N-NW, entre os 600-850 m de altitude. Esta mata constitui uma das raras amostras ainda existentes da vegetação natural das encostas xistosas do centro de Portugal tal como existiria séculos atrás e destaca-se na paisagem alterada pelos fogos florestais da serra do Açor. Apresenta-se como uma floresta muito antiga dominada por castanheiro Castanea sativa, carvalho-roble ou alvarinho Quercus robur, que coexistem com outras espécies de interesse como o azereiro Prunus lusitanica ssp lusitanica, o loureiro Laurus nobilis, o azevinho, entre muitas outras. Os diferentes biótopos da Mata da Margaraça permitem o crescimento de comunidades muito diversificadas, nomeadamente de fungos, briófitos e animais que encontram aqui o seu habitat preferencial.

A Fraga da Pena localiza-se num pequeno desvio da estrada que liga Benfeita a Pardieiros. Resulta de um acidente geológico que origina um conjunto de várias quedas de água ao longo de um curso de água permanente, constituindo um local de grande importância paisagística. As margens da linha de água conservam ainda alguns exemplares antigos de carvalho-alvarinho Quercus robur, azereiro Prunus lusitanica ssp lusitanica, azevinho Ilex aquifolium, castanheiro Castanea sativa, adernos Phillyrea latifolia e P. angustifolia, entre outras.

No fundo dos vales, o espaço agrícola retalhado, ora verdejante, ora acastanhado, reflete o ritmo das culturas ao longo do ano; subindo as encostas, surgem as bouças e matos que asseguram a lenha, bem como o pasto e o material para a cama do gado; nas zonas mais altas encontram-se as grandes extensões destinadas ao pastoreio extensivo.

Os núcleos populacionais surgem associados às áreas mais aplanadas, com boa exposição solar e próximo das linhas de água.

Para além disso, as construções erguem-se sobre os afloramentos rochosos, libertando os solos mais férteis para a atividade agrícola.

O enriquecimento da paisagem com formas construtivas estendeu-se através dos muros, levadas, calçadas, pontões, espigueiros, fojos, moinhos, abrigos de pastor ou alminhas…

Hoje, somam-se à paisagem milenar grandes planos de água das albufeiras ou elementos lineares como novas estradas. Uma vez mais, a paisagem constrói-se, não só através da ocorrência de fenómenos naturais, mas também da forma como as pessoas a transformam e continuarão a transformar.

Na serra do Açor, nomeadamente no concelho de Arganil, destacam-se alguns monumentos pela sua importância, não só no contexto local e regional mas também nacional:

Capela de S. Pedro (séc. XIII);
Mosteiro de Folques;
Convento de Vila Cova de Alva.

A serra do Açor é rica em património construído do qual se destaca a construção em xisto.
Na Área Protegida, a Casa Grande, que acolhe visitantes na Mata da Margaraça, é um exemplo da reconstrução em xisto respeitando a traça do edifício originalmente existente.
Ainda na Mata da Margaraça de referir a Casa da Eira que pretende retratar o quotidiano das gentes e aldeias serranas.
Na serra e em algumas aldeias existem vários núcleos que representam bem o património construído. Nos últimos anos, assistiu-se, inclusivamente à reconstrução de casas de xisto para segunda habitação ou para atividades ligadas ao turismo.
De destacar também as aldeias de Benfeita, da rede de Aldeias do Xisto, e Piódão,da rede de Aldeias históricas de Portugal.

Na Paisagem Protegida da Serra do Açor também se pode conhecer a cultura e modo de vida das populações serranas. Das atividades humanas que persistem, destaca-se a agricultura de subsistência, a apicultura e o artesanato. Deste, outrora rico, variado e dependente da floresta, onde se incluíam a manufatura de tamancos em madeira de azereiro, gamelas e cestas em castanho, mobiliário e alfaias agrícolas, subsistem apenas alguns que caracterizam e marcam o concelho de Arganil e a serra, nomeadamente o fabrico de:

miniaturas de casas em xisto;
colheres de pau de pinho; e
alguma cestaria.

 

Fonte: www.icnf.pt